* DUAS DICAS PRECIOSAS
Durante meu intercâmbio trimestral em Malta, no verão 2015-2016 (na verdade, inverno europeu), obtive duas preciosas informações que alteraram completamente a dinâmica da viagem.
A primeira se referia ao fato da Ryanair e outras companhias aéreas low cost fazerem promoções sensacionais durante os meses de frio no Velho Mundo (especialmente se planejado com o mínimo de antecedência).
A segunda e fundamental dica veio do meu querido professor de inglês, George. Ao comentar meu interesse em explorar o continente europeu, ele retrucou incentivando-me veementemente a ir. Preocupado em perder as aulas, o docente apenas piscou e afirmou: "Falta sexta e segunda e dobre suas aulas no meio da semana que tudo está resolvido". Foi a senha para direcionar a maioria dos meus parcos euros para websites como Skyscanner e Momondo.
Foi assim que eu iniciei o ano de 2016 passando as tardes em pesquisas alucinadas por novos mundos. E, entre as opções disponíveis no primeiro final de semana do citado ano, apareceu com um preço razoável a inesperada Sofia, capital da Bulgária.
* UMA ESCOLHA ESTRANHA
Por mais que não estivesse no radar dos grandes destinos europeus (que são muitos), não pude deixar de me encantar com a ideia de estrear meus finais de semana alongados naquele simpático país.
Além de ser a terra natal da família de atrapalhada Presidente Dilma Roussef, minha lembrança mais entusiasmada desse antigo satélite soviético vinha do ano de 1994. Mais precisamente da Copa dos Estados Unidos (aquela mesma, do longínquo, sofrido e emocionante tetra). E pra ir direto ao ponto, do craque Hristo Stoichkov (que fez uma dupla infernal de ataque com Romário no Barça e quase me matou de susto ao fazer um golaço na final do mundial de clubes contra o São Paulo, em 1992).
Como se vê, fazia tempo que eu não prestava muita atenção naquele país. E acho que boa parte do mundo tampouco. A Bulgária, depois da queda da cortina de ferra, ficou escondidinha no canto da sala do leste europeu, que viu emergir potências turísticas como República Tcheca e Turquia.
Foi essa leve estranheza que, de fato, me cativou. Afinal, seria uma experiência ainda mais diferente que houvera sido minhas primeiras andanças sul-americanas ou europeias. Um país distante, cristão ortodoxo, com alfabeto cirílico e poucas referências culturais para mim parecia ser o passo ideal para um explorador cada vez menos medroso do mundo. Por 64 euros, garanti minha ida e volta daquele instigante canto do planeta.
* A PRIMEIRA SURPRESA: O HOSTEL PREMIADO
Ao iniciar o planejamento da viagem, que duraria apenas três dias inteiros, uma das primeiras preocupações, além do frio, seria o local onde me hospedaria. Imaginando que os hostels seriam mais econômicos e socialmente mais interessantes, foquei-me nesta modalidade de hospedagem.
Qual não foi minha surpresa ao descobrir que o Hostel Mostel estava na lista dos 10 melhores do planeta na eleição promovida pelo Hostel Awards em 2014 - Categoria Grandes Hostels?
Melhor foi descobrir que apesar do status recém-adquirido, o valor da diária era consideravelmente baixo, ainda mais na comparação com similares brasileiros em grandes cidades. Os dez euros (cerca de 40 reais) pareceram um excelente custo-benefício. E foram. Assim como toda a Bulgária, que também representava certo alívio nas despesas realizadas no velho continente. Sua moeda, o Lev, ainda assim valia o dobro do real brasileiro na época. Mas muitas coisas custavam menos ou até a metade do que eu gastava em São Paulo.